teresa_de_liseaux

Maria Francisca Teresa Martin Guérin nasceu em Alençon (França) a 2 de janeiro de 1873. Os seus pais foram os beatos Luís Martin e Célia Guerin. Foi a última de nove filhos deste santo matrimónio dos quais sobreviveram cinco filhas: Maria, Paulina, Leónia, Celina e Teresa. A sua mãe não pôde alimentá-la à nascença, por isso passou o primeiro ano da sua vida no campo, alimentada por uma ama. Os seus primeiros anos de vida foram muito felizes, mas quando tinha quatro anos, morreu a sua mãe com cancro. Isto afetou muito Teresita, que deixou de ser uma menina viva e efusiva para passar a ser tímida, calada e hipersensível, apesar de ser rodeada de ternura pelo seu pai e pelas suas irmãs.

A família mudou-se para Lisieux, para perto dos seus tios. Quando a sua irmã Paulina entra no Carmelo em 1882, Teresa sofre como que uma segunda orfandade materna. No ano seguinte aparece-lhe uma “estranha doença”, com alucinações e tremores. Um dia, enquanto as suas irmãs rezavam por ela, pareceu-lhe que a estátua da Virgem que estava próxima lhe sorria e sentiu-se curada.

No ano seguinte, o dia da sua primeira comunhão foi como um dia sem nuvens. Nesse dia entregou-se a Jesus. A sua alma relacionava-se com Deus com espontaneidade e amor. No entanto, influenciada pelo moralismo da época, passou muito tempo sofrendo terríveis escrúpulos. A sua irmã Maria tentava ajudá-la com sábia pedagogia.

No Natal do ano de 1886, uns dois meses após a entrada de Maria no Carmelo, Teresa recebeu o que ela chamou a “graça da sua conversão”, com a qual superou a sua extrema sensibilidade e começou a encontrar a sua felicidade esquecendo-se de si mesma para agradar aos demais.

No ano seguinte, após conseguir autorização do seu pai para ingressar no Carmelo, peregrinou a Roma onde, numa audiência com o Papa Leão XIII, lhe pediu autorização para entrar no Carmelo apesar da sua juventude.

A 9 de abril de 1888, Teresa entrou no Carmelo com o nome de Teresa do Menino Jesus. A este nome lhe acrescentaria posteriormente “e da Santa Face”, numa altura em que o seu pai sofreu períodos de alucinações e teve de ser internado num hospital psiquiátrico. O seu pai viveu com grande fé esta doença mas as filhas sofreram muito com ela.

No Carmelo, Teresita mergulhou na Sagrada Escritura, fundamentalmente nos Evangelhos, onde via as marcas de Jesus. Também as leituras do antigo testamento, quando o profeta Isaías fala do amor materno de Deus ou do “Servo de Yahvé”, a comoviam profundamente. São João da Cruz foi o seu mestre espiritual. Através dos seus escritos aprofundou o caminho do amor.

Após o período de formação, passou a ser formadora das jovens, mesmo sem o “título” oficial, sendo mestra da sua irmã Celina. Também se correspondia com dois missionários. Através destas cartas, estabeleceu com eles uma relação não apenas fraterna, mas também de verdadeiro acompanhamento espiritual. Numa época em que muitos crentes se ofereciam como vítimas da ira de Deus, Teresa oferece-se ao seu Amor Misericordioso, pois via que a justiça divina – tal como os seus demais atributos – está sempre impregnada de misericórdia. Com o passar dos anos foi crescendo a sua experiência do amor incondicional e gratuito de Deus, sentindo-se chamada a viver no agradecimento e abandono confiado de uma criança nos braços de sua mãe. Isto fá-la entender o valor das mais pequenas obras realizadas por amor (e não para ganhar méritos), afinando no amor quotidiano nos mais mínimos detalhes. Entende que a sua vocação na Igreja é o amor. Foi uma mulher simples. Viveu sem factos extraordinários, sem êxtases nem milagres. Conheceu a aridez na oração e as incompreensões mas sem perder uma serena alegria e uma paz que cada vez preenchia mais o seu coração.

Na Páscoa de 1896 Teresa adoece de tuberculose. Três dias depois começou a prova da fé, que durou até à sua morte. Nesta prova ela não podia acreditar na vida eterna. Suporta a prova e vence-a com atos mais firmes de fé e de amor. Morreu a 30 de setembro de 1897.

Os seus escritos são as Cartas, Poemas, pequenas obras de teatro para festas comunitárias, algumas Orações, as anotações que fizeram as suas irmãs durante a sua doença e a História de uma alma. Este último escrito, relato da sua história de salvação, revolucionou a espiritualidade da Igreja até ao ponto de ser declarada doutora universal da Igreja. Também é a padroeira universal das missões.

A sua festa celebra-se a 1 de outubro.

santa_teresa_benedictina

O aproximar-nos à pessoa de Edith Stein, Teresa Benedita da Cruz, leva-nos ao encontro com uma buscadora apaixonada da Verdade, traço que definiu toda a sua vida. Nasceu a 12 de outubro de 1891 no seio de uma família judia em Breslau (atual Polónia). A sua mãe, mulher forte e de fé profunda, educou os seus filhos num clima de respeito e liberdade responsável. A fé de Edith foi debilitando-se à medida que tentava apropriar-se das crenças recebidas. Por não encontrar resposta às suas questões, abandonará na adolescência essa crença familiar judia.

Possuía uma inteligência e intuição extraordinárias. Foi uma aluna brilhante em todos os seus estudos. Motivada por um impulso interior de procura do sentido da vida, estudou Psicologia, matéria que a desiludiu. Sente-se atraída pela história, filosofia e filologia germânica, que estudou durante os anos universitários na sua cidade natal.

No seu processo de procura encontra a obra: Investigações lógicas do famoso filósofo Edmund Husserl, pai da fenomenologia. Husserl será o seu mestre e a fenomenologia será a ciência que abrirá novas perspetivas para o conhecimento da essência das coisas. Na universidade de Gotinga dedicar-se-á ao aprofundamento desta ciência junto a outros filósofos como Scheler, Reinach e o casal Conrad-Martius que serão também seus grandes amigos.

Quando deflagra a I Guerra Mundial, alista-se como enfermeira da Cruz Vermelha. Está convencida de que a sua vida já não lhe pertence, e que deve entregar-se ao “grande acontecimento”. Encontra-se com o mistério da dor e da morte de uma maneira tão real que a faz assumir como próprios os sofrimentos dos homens.

Continua estudando e preparando a tese doutoral com o tema: Sobre a empatia, na qual receberá a máxima distinção, “summa cum laude”. Tenta aceder a uma cátedra universitária o qual lhe é negado por ser mulher.

Dois factos a comoveram profundamente e serão determinantes para dar o salto à fé em Cristo: a atitude de serenidade diante da morte, que apreciou na esposa de Reinach, caído em combate e a leitura da Vida de Santa Teresa de Jesus na casa da sua amiga H. Conrad-Martius.

A partir de então continua o seu itinerário particular de aprofundamento na fé, caminho de abandono progressivo e confiado nas mãos de Aquele que se lhe revelou como a Verdade e a fonte de toda a sabedoria. O seu desejo de entrega total ao Senhor no Carmelo cresce nos intensos anos em que se dedica a várias tarefas: é professora de alemão num colégio dominicano em Espira, conferencista em instituições pedagógicas e filosóficas, estudiosa e tradutora de autores como Sto. Tomás de Aquino e cardeal Newman, professora no Instituto de Pedagogia Científica de Münster… O ambiente de forte antissemitismo que se respirava força-a a abandonar o ensino em 1933.

Parecia ter chegado o tempo ansiado de iniciar a vida no Carmelo. Encontra-se com a sua mãe. Foi um encontro doloroso porque a sua mãe não tinha aceitado a conversão ao catolicismo. Ingressa a 14 de outubro de 1933 no Carmelo de Colónia, onde permaneceu até 31 de dezembro de 1938. É trasladada ao Carmelo de Echt (Holanda), devido à asfixiante perseguição contra os judeus e católicos na Alemanha. Assumiu a “ciência da cruz” até às suas últimas consequências. Entrou na “Vida” a 9 de agosto de 1942 em Auschwitz-Birkenau.

Foi beatificada em 1987, canonizada em 1998, nomeada co-padroeira da Europa em 1999. Soube unir em si mesma a procura da Verdade e o abandono confiado em Deus.

san_rafael_kalinowski

José Kalinowski, nasce em Vilna (Lituânia) a 1 de setembro de 1835, filho de André Kalinowski e Josefina Polonska, nobres católicos.

Estuda na academia militar de São Petersburgo, com bons resultados, mas devido à insurreição do seu país diante da ocupação russa, decide deixar o exército e apesar de saber que o êxito da insurreição é impossível, decide ajudar os seus compatriotas, aceita o cargo de ministro de guerra e evita no possível o maior derramamento de sangue.

Em março de 1864 é preso e condenado à pena capital, que é comutada por 10 anos de trabalhos forçados na Sibéria. Com um crucifixo e a Imitação de Cristo, vai para a Sibéria e após 9 meses de uma dura viagem, chega com os sobreviventes ao lago Bajkal.

Naquelas circunstâncias especialmente duras, demonstrou uma grande caridade, suportando os sofrimentos, partilhando com os outros o que tinha, e o que recebia dos seus familiares: «Escrevo-o claramente, a mi­séria aqui é grande; encontrar dinheiro na pátria é sempre mais fácil que na Sibéria. É-me inconcebível ser indiferente».

A 2 de fevereiro de 1874 concedem-lhe a liberdade, mas não pode voltar a viver na Lituânia. Aceitou então o cargo de tutor de Augusto Czartoryski, de 16 anos, que vivia a maior parte do tempo em Paris.

A 15 de julho de 1877, entra no convento carmelita de Grantz, com o nome de Rafael de São José. Pronuncia os seus primeiros votos a 26 de novembro de 1878 e parte para a Hungria para estudar filosofia e teologia no convento de Raab. A 27 de novembro de 1881, pronuncia os seus votos perpétuos e é enviado a Polónia ao convento de Czerna onde é ordenado sacerdote a 15 de janeiro de 1882. Um ano depois deram-lhe responsabilidades de governo.

Reorganiza a Ordem na Polónia e a ordem secular. Publica algumas biografias. Em 1906, toma a direção do colégio de teologia em Wadowice. É apreciado por todos como diretor espiritual e confessor. Dedica-se com especial interesse ao cuidado das suas irmãs carmelitas descalças.

Morre a 15 de novembro de 1907 em Wadowice. Foi beatificado em Cracóvia a 22 de junho de 1983 pelo Papa João Paulo II e canonizado em Roma a 17 de novembro de 1991. A sua festa foi instituída a 19 de novembro.

Na sua vida, destacam de forma especial o espírito de caridade e o espírito de reconciliação, bem como a dedicação à formação, especialmente dos jovens.

Ensina a ter coragem de perseverar na fé e de confiar nas dificuldades; também ensina que somente à luz da reconciliação proveniente de Deus se pode avançar para o encontro com o homem e para o perdão. Ensina ainda que para poder perdoar, é preciso saber-se perdoado.

Tinha um carácter aberto, cheio de cordialidade. Da sua permanência na Sibéria, regressou convencido da necessidade de dedicar-se à juventude, porque nesta etapa da vida, a aprendizagem configura a pessoa e se decide o futuro. Procurava uma formação integral do ser humano; motivava-o um interesse espiritual e intelectual.

A sua vida foi iluminada pelo evangelho e pela pessoa de Jesus.

É invocado como patrono de siberianos, educadores, ferroviários, engenheiros e jovens.

santa_teresa_de_los_andes

Juanita Fernández Solar nasceu a 13 de Julho de 1900 em Santiago do Chile. Educada na fé pelos seus pais desde a infância, teve uma precoce inclinação à oração e ao bem. Desde 1907 ingressou no colégio das religiosas do Sagrado Coração. A 11 de setembro de 1910 recebeu a primeira comunhão. Este foi um dia fundamental para ela. A partir desse dia viveu uma amizade com Jesus cada vez mais intensa.

De família abastada, tratou com inusual afeto os empregados do lar e preocupou-se pela catequese e pelas necessidades materiais dos pobres que viviam nas suas terras. O seu pai demostrou pouca capacidade para administrar os seus bens e perdeu grande parte do seu património. No meio de dificuldades familiares (um dos irmãos afastou-se da fé, outro vivia uma vida boémia) ela velou por todos.

Com 15 anos, declarou que Cristo a tinha cativado. Pouco depois, contra a sua vontade foi internada num colégio, até que decidiu ser fiel na sua vida de aluna como um modo de entregar-se à vontade de Deus. Aí começou o discernimento sobre a sua vocação.

Aos 17 anos, leu os escritos de Santa Teresa de Jesus. Começou a viver a oração como amizade e entrega aos demais. Também conheceu os escritos de Santa Teresita e de Isabel da Trindade, experimentando uma grande sintonia com elas. Também ela desejou ser casa de Deus, e louvor de glória. Entrou em contacto epistolar com a Madre Angélica, priora das Carmelitas de Los Andes e colocou-lhe a sua inquietação vocacional.

Um ano depois, tendo-se casado a sua irmã Lúcia, deixou o colégio e voltou à casa paterna para aprender a fazer as tarefas da casa e apresentar-se em sociedade. Era uma jovem desportista, amante da natureza e alegre. Dava catequese e aulas a crianças de famílias desfavorecidas e colaborava nas missões. Duvidava entre ser monja do Sagrado Coração ou Carmelita Descalça. Quando a sua mãe soube da sua vocação, tentou dissuadi-la mas Joana reagia com doçura e equilíbrio. A 11 de janeiro de 1919, conheceu a comunidade de carmelitas e desapareceram as dúvidas, seduzida pela simplicidade, familiaridade de trato e espontaneidade das irmãs.

Entrou a 7 de maio de 1919, mudando o seu nome pelo de Teresa de Jesus. Conheceu os escritos de São João da Cruz, que a ajudaram no amadurecimento da sua oração.

Exerceu um verdadeiro apostolado com as suas cartas a familiares e amigos, tratando de conduzi-los à amizade com Deus, à alegria e à gratidão. As suas Cartas e os seus Diários ficaram como legados da sua espiritualidade.

Na semana santa de 1920, adoeceu gravemente. Fez a sua profissão religiosa no leito, com alegria e emoção e faleceu a 12 de abril.

A sua vida e espiritualidade, são irradiação de Deus no Chile e em toda a América Latina. O santuário onde repousam os seus restos mortais é um lugar de peregrinação onde muitas pessoas se reencontram com Deus e com a fé.

santa_teresa_margarita_redi

Ana Maria Redi nasceu em Arezzo, Itália, a 15 de Julho de 1747. Foi a segunda de treze irmãos. Com exceção do primogénito e dos cinco que faleceram na infância, todos se consagraram a Deus. Teve uma infância muito feliz. Era notável a sua inclinação para a piedade, os seus desejos de santidade e a sua compaixão para com os pobres.

Com nove anos foi internada no colégio de Santa Apolónia das Beneditinas de Florência onde, de 1756 a 1763, recebeu uma esmerada educação. Aos 14 anos faz exercícios espirituais. Torna-se uma menina responsável e afável.

Sentiu a chamada para a vida religiosa. Pensou ser Benedictina. Após uma conversa com uma amiga que ia ingressar no Carmelo, Ana sentiu a vocação de ser carmelita (que ela antes não apreciava). Saiu do colégio para amadurecer a sua decisão. Quando completou 17 anos comunicou a sua resolução.

Entrou no Carmelo de Florencia a 1 de setembro de 1764 e tomou o hábito a 10 de março de 1765. Fez o propósito de viver a oração, a obediência e o silêncio. Professou a 12 de março de 1766 com o nome de Teresa Margarida do Coração de Jesus.

Tinha um temperamento entusiasta. Aprendeu a controlar-se e, desde o início viveu uma vida de admirável fidelidade. A relação que tinha com o seu pai, de mútua ajuda espiritual, fez-se mais profunda a partir da sua entrada no Carmelo.

Sabia latim. Por isso compreendia melhor os textos bíblicos e litúrgicos. Gostava de recitá-los frequentemente. Desejava viver a Regra do Carmelo meditando “dia e noite a Palavra de Deus”. Tinha especial simpatia pelos textos de São Paulo como por exemplo: “a vossa vida está com Cristo, escondida em Deus”.

Tinha constante memória de Cristo Crucificado, “capitão do amor” que levanta “o estandarte da Cruz”. A partir dos exercícios espirituais de 1768, propôs-se, em todas as suas ações não ter outro fim que não fosse o amor e o unir a sua vontade com a de Deus. Foi perseverante em pequenos serviços às irmãs e não consentia murmurações nem críticas. Exclamava constantemente: “Deus é amor”. Vivia em contínua ação de graças: Quem não acredite e não se atreva a aproximar-se a Ele faça a experiência de quão bom e generoso é o nosso amorosíssimo Deus!”

Era solícita no exercício da caridade. Oferecia-se para cuidar das irmãs idosas e doentes nas quais via o próprio Jesus Cristo. Especialmente pedia para atender as mais difíceis. Havia uma irmã demente e agressiva que outras temiam, mas que ela sabia cuidar com grande paciência e sem se lamentar.

No final da sua vida, teve grande aridez na oração. Experimentou repugnância, insensibilidade, temores, tentações e antipatia para a virtude. Ela redobrava a sua fé, vivia em abandono confiado a Deus e recitava salmos, frases bíblicas ou a expressão: “Pai bom!” Amante da leitura desde a infância, no final da vida só podia ler os escritos de Santa Teresa.

Faleceu a 7 de março de 1770.

santa_maravillas_de_jesus

María de las Maravillas Pidal y Chico de Guzmán, OCD (1891-1974).

Nasceu em Madrid a 4 de novembro de 1891 na família dos Marqueses de Pidal que era profundamente católica. Abandonou as honras próprias do seu estado social para ingressar no Carmelo do Escorial em 1919.

No ano 1924, por inspiração divina, funda o Carmelo do Monte dos Anjos, junto ao Monumento em honra do Sagrado Coração de Jesus.

Em 1933 funda um Carmelo em Kottayam (Índia).

Em 1939 regressa a Espanha e empreende numerosas fundações com o espírito de Santa Teresa de Jesus: Em 1944 Mancera de Abajo, (Salamanca), em 1947 Duruelo, em 1950 Cabrera, (Salamanca), em 1954 Arenas de San Pedro, (Ávila), em 1956 San Calixto (Córdoba), em 1958 Aravaca, (Madrid), em 1961 La Aldehuela, (Madrid). Neste último convento vive até à sua morte.

Desde aqui, esta filha de Santa Teresa, audaz e atual, atenta às necessidades do próximo, realiza a sua grande obra social: um colégio para pessoas pobres.

Posteriormente, realiza a Fundação de Montemar (Málaga) em 1964.

Em 1964 o Arcebispo de Madrid-Alcalá pede-lhe a restauração do Carmelo do Escorial onde viveu os seus primeiros anos na Ordem e em 1966, a pedido do Bispo de Ávila, salva da extinção o mosteiro da Encarnação, onde santa Teresa de Jesus viveu durante 30 anos.

Faleceu a 11 de dezembro de 1974 no seu convento de La Aldehuela, despois de por ao serviço de Deus e do Carmelo Descalço todos os seus dons e vocação, a sua vida inteira. Na igreja conventual, o seu sepulcro recebe milhares de peregrinos por ano.

Em 1974, o P. Finiano, Geral do Carmelo Descalço, dirige ao Papa Paulo VI uma emotiva carta com um eloquente retrato da Madre, pedindo a introdução da causa de beatificação. A Madre Maravilhas é beatificada em Roma em 1998 e canonizada em Madrid em 2003 por S.S. João Paulo II, que dela disse: “… viveu animada por uma fé heroica, manifestada na resposta a uma vocação austera, pondo Deus como centro da sua existência. Realizou novas fundações da Ordem do Carmelo presididas pelo espírito característico da Reforma Teresiana”.

beata_isabel_de_la_trinidad

Isabel Catez nasceu a 18 de julho de 1880 perto de Bourges (França). Três anos depois nascerá a sua irmã Margarita (Guita). Em 1887 falecem o seu avô e o seu pai e ficaram as duas meninas ao cuidado de sua mãe, uma mulher muito enérgica e reta.

A pequena Isabel também tem um carácter forte. As suas birras infantis eram temíveis. No entanto, desde tenra idade trata de vencer o seu temperamento. Com a morte do pai mudam de domicílio passando a viver próximo das Carmelitas Descalças de Dijon. O som dos sinos do convento e a horta das monjas exerciam uma grande atração sobre Isabel.

O dia da sua primeira comunhão, a 19 de abril de 1891, foi fundamental para ela: sente que Jesus a preencheu. Nessa tarde foi visitar por primeira vez o Carmelo e a priora explica-lhe o significado do seu nome hebreu. Isabel é “casa de Deus”. Isto marca profundamente a criança, que compreende a profundidade dessas palavras. A partir de então quer ser morada de Deus com mais oração, controlando o seu temperamento, esquecendo-se de si própria…

Apesar da sua viva inteligência, a jovem Isabel recebe uma cultura geral deficiente. É dotada para a música e ganha um primeiro prémio de piano aos 13 anos. Tem uma alma sensível à música e à natureza, formosuras que a remetem sempre para Deus porque vê nelas a harmonia do Criador.

Isabel deseja ser carmelita, mas a sua mãe proíbe a sua entrada até que faça 21 anos. Ao ler os escritos de Santa Teresa sente uma grande sintonia. Compreende que a contemplação é deixar-se nas mãos de Deus, que a mortificação há-de ser interior e que a amizade é uma atitude de considerar os interesses do outro. Também lhe ajudou muito a leitura de A História de uma alma. A jovem Teresa de Lisieux, recém-falecida, impulsionou-a no caminho da confiança em Deus.

A 2 de agosto de 1901, a postulante ingressa no Carmelo de Dijon com o nome de Isabel da Trindade. A Madre Germana será a sua priora, mestra e, finalmente, admiradora e discípula. Isabel vive uma vida completamente ordinária, uma vida de fé, sem revelações nem êxtases, no entanto, toda a comunidade nota a fidelidade e a entrega da jovem. Ela submerge-se na leitura e aprofundamento da Escritura (fundamentalmente São Paulo) e dos escritos de São João da Cruz. Através deles vai encontrando o seu próprio caminho interior e amadurecendo na sua fé.

Lendo São Paulo, descobre uma intensa chamada a ser Louvor da Glória de Deus Trino, em cada instante do dia, vivendo numa constante ação de graças. Chega a ter tal identificação, que no final da sua vida assina algumas cartas com esse nome: “Laudem Gloriae”.

Na quaresma de 1905, Isabel adoece e após uma penosa e longa doença, morre a 9 de novembro de 1906. As suas últimas palavras foram: “Vou para a Luz, para o Amor, para a Vida”.

A sua vida e os seus escritos tiveram uma difusão surpreendente. Estes escritos são: Diários, Cartas, Poemas (refletem a sua alma, mas são de pouca qualidade literária), umas Orações entre as quais é célebre a sua elevação à Santíssima Trindade, e os seguintes escritos: O céu na fé, no qual anima a sua irmã Guita, que é casada e mãe, a viver o céu na terra adorando a Deus em fé e amor; grandeza da nossa vocação, últimos exercícios e deixa-te amar (dedicado à sua priora).

beato_francisco_palau

O Beato Francisco Palau é um carmelita espanhol nascido em Aytona em 1810 e falecido em Taragona em 1871. É uma personagem típica do século XIX. O P. Alejo da Virgem do Carmo afirma que, entre as grandes figuras do século XIX, sobretudo na Catalunha, e entre os apóstolos da palavra cristã, ao lado do Venerável Claret, o P. Coll e o P. Planas, haveria de colocar-se o P. Palau, “mais afligido, mais caluniado e menos conhecido hoje que todos eles”.

 

É um homem insatisfeito com o espírito da época, saudoso do mundo que tinha caído sucumbido aos processos revolucionários, e sempre esperando o surgir de uma nova sociedade na qual poder ver realizadas as suas esperanças.

 

Descobre a sua vocação paulatinamente. Reconhece que o seu lugar está no claustro e, quando as circunstâncias o expulsem dele, reafirmará a sua vocação de religioso e carmelita, à qual permanece fiel diante de pressões, proibições, prisões e desterros, e já que nele a “chama do amor” era mais forte que todas as dificuldades que surgiam resolveu “viver solitário nos desertos, dentro do seio dos montes”.

 

O amor à Igreja é a sua grande paixão. A Igreja revelou-se como uma realidade que supera a estrutura. Francisco compreendeu-a como comunhão de amor entre Deus e o próximo. Com a descoberta deste mistério, pelo ano de 1860, encontrou o sentido definitivo da sua vida, uma vida gasta ao serviço da Igreja.

 

Francisco Palau, solitário por vocação, sente-se um apóstolo, um evangelizador, disposto a defender esta causa contra todos aqueles que tentam encaixilhar e silenciar Deus. Evangelizar, para ele, inclui toda a atividade, a pregação, o ensino, a catequese, a beneficência, o exercício do jornalismo, a propaganda e a denúncia, enfim, tudo o que ajudasse a cristianizar o ambiente cada vez mais afastado dos princípios religiosos que, para ele, são a base sobre a qual se deve levantar o edifício social.

 

Esta paixão manifesta-se no ensino da doutrina cristã mas inclui também a atenção aos necessitados, aos doentes, e entre eles aos “loucos”, aos dementes, que às vezes apareciam como afastados da mão de Deus. Francisco, que desde jovem sentiu que a solidão e a contemplação – a vocação de Maria – era o âmbito natural para o desenvolvimento da sua vocação, recomenda às suas filhas a vocação de Marta.

 

 

Este é o P. Palau, um carmelita descalço que ao ser expulso do convento descobriu a sua vocação de eremita solitário que, encontrando-se satisfeito nas covas e solidões das montanhas, soube estar entre as pessoas como pregador, reformador dos costumes, catequista, animador de grupos e comunidades que se formavam à sua volta.

 

Foi um missionário apostólico. Fundou duas congregações: as Carmelitas Missionárias Teresianas e as Carmelitas Missionárias.

 

Escreveu obras de carácter devocional e apologético. Sobretudo e antes de tudo foi um buscador: andou sempre “em busca do bom e do belo”.