Além do Congresso Internacional celebrado no Teresianum, do qual damos notícia este mesmo mês no nosso serviço de notícias, há alguns acontecimentos que põem de manifesto a atualidade de São João da Cruz e o interesse pela sua obra hoje em dia.

Em Múrcia, nos dias 21 a 23 do passado mês de maio, celebraram-se umas jornadas de estudo interdisciplinar sobre o Santo, com duas conferências a cargo dos PP. José Vicente Rodríguez (professor no CITeS-Universidade da Mística) e Emílio Martínez (professor no Teresianum). Houve, também, ocasião para refletir sobre a influência de João da Cruz na arte: música, pintura, escultura e cinema. As jornadas foram organizadas pelo Instituto Teológico do Seminário “São Fulgêncio” da Diocese de Cartagena, os Carmelitas Descalços de Caravaca e as Carmelitas Descalças de Algezares. Espera-se que, tendo em conta o êxito do encontro, possa fundar-se no dito Instituto uma Cátedra específica para os estudos sanjoaninos.

Em relação a publicações escritas, recentemente viram a luz dois livros interessantes: uma biografia escrita pelo P. Bruno Moriconi em italiano, publicada por Edizioni OCD, com o título “Il prigionero di Toledo. Juan da la Cruz, poeta di Dio” e um comentário ao “Cântico Espiritual”, obra póstuma do P. Eulógio Pacho editada pelo P. Ciro García na Editorial Monte Carmelo do Grupo Fonte, da Província Ibérica.

Finalmente, não esqueçamos o esperado Congresso Internacional —o terceiro da série dedicada a São João da Cruz— que se celebrará no CITeS-Universidade da Mística de Ávila entre 2 a 8 do próximo mês de setembro. Como é habitual, pode-se participar no Congresso presencialmente ou através da modalidade online. Para informações sobre o programa e inscrições convidamos todos a visitar a página web: www.mistica.es.

O Conselho Geral dos Carmelitas e o Definitório dos Carmelitas Descalços, presididos pelos respetivos Padres Gerais, Fernando Millán, OCarm, e Saverio Cannistrà, OCD, reuniram-se na casa provincial dos irmãos OCarm, em Gort Muire, Dublin entre os dias 27 e 30 do mês de maio passado. Este encontro enquadra-se nas reuniões conjuntas que, periodicamente, têm os dois Conselhos e que normalmente se realiza em Roma. Não obstante, de vez em quando realiza-se uma reunião mais alargada na qual, além de tratar os temas concernentes à colaboração entre as duas Ordens, há uma formação. Neste caso, o tema escolhido foi a missão no mundo de hoje. Como já é tradicional, ao final do encontro irá elaborar-se um documento conclusivo para partilhar com todos os membros do Carmelo Teresiano e da Antiga Observância.

Durante os dias 9 e 10 do passado mês de Maio celebrou-se no Teresianum um Congresso Internacional sobre São João da Cruz, com o título: “Memória e Esperança em São João da Cruz”. O objetivo do Congresso foi analisar de modo interdisciplinar o processo de purificação da memória, potência humana, através da esperança, virtude teologal. Este estudo não se limitou à análise dos capítulos precisos do Terceiro Livro da Subida ao Monte Carmelo nos quais o Santo afronta diretamente a questão, mas estendendo o horizonte de estudo a toda a sua obra.

As aproximações realizadas durante os dias do Congresso desde a filologia, da filosofia, da teologia bíblica e espiritual, assim como desde a sociologia, mostraram a eficácia da proposta sanjoanina, enraizada na tradução teológica e válida também a nível antropológico, até ao ponto de poder iluminar situações de crise e reconciliação que exigem um exercício necessário de esperança que anule as memórias dolorosas que sustêm o enfrentamento entre pessoas e sociedades.

O Congresso finalizou com uma mesa redonda na qual os oradores procuraram, à luz das apresentações escutadas, clarificar a atualidade do convite de São João da Cruz a deixar para trás as memórias (positivas ou negativas) para construir um futuro sempre melhor, a nível individual e coletivo.

Na página web da Faculdade (www.teresianum.net) pode encontrar-se o link para a conta de YouTube na qual se encontram todas as conferências.

«A Associação “Nossa Senhora do Carmo”, de conventos de Carmelitas Descalças do Peru, reuniu-se entre os dias 20 a 25 de maio do ano em curso.

Os dias 20, 21 e 22 de maio realizou-se o Curso para Prioras e delegadas nos dois segmentos:

Durante as manhãs tivemos Conferências de formação via online com o P. Rafal Wilkowski OCD., secretário do P. Geral para as Irmãs. Ele apresentou todos os dias temas muito interessantes:

  • Primeiro dia: O serviço de autoridade na comunidade das irmãs carmelitas descalças.
  • Segundo dia: Formação humana.
  • Terceiro dia: Projeto comunitário.

As irmãs ficamos muito contentes e agradecidas com o P. Rafal por ter aceitado amavelmente dar-nos estas conferências e pela claridade e simplicidade da sua exposição. Deus lhe pague Padre.

Durante as tardes estivemos acompanhadas de NN. PP. Carmelitas Descalços, P. Alfredo Amesti, Comissário no Peru, P. Ángel Zapata, Assistente Eclesiástico, e P. Pedro Zubieta, Canonista, para fazer a leitura e revisão em grupos dos textos dos nossos futuros Estatutos, que tinham sido previamente dados às comunidades para que os estudassem, a fim de serem apresentados à Assembleia para aprovação.

Nos dias 23, 24, 25 de maio realizou-se a IX Assembleia Ordinária, com a participação de todas as comunidades que fazem parte desta Associação (12), representadas pelas suas Madres Prioras e Delegadas.

No segundo dia da Assembleia, realizaram-se eleições, sendo elegidas:

Presidente: M. Liliana da Sagrada Eucaristia do convento de São José de Arequipa

Primeira Conselheira: M. Elena da Rainha do Carmelo do convento de Nazarenas Carmelitas Descalças de Lima

Segunda Conselheira: M. Maria Guadalupe do Menino Jesus do convento de Piurra Terceira Conselheira: M. Maria de Jesus do convento de São Vicente de Cañete

Quarta Conselheira: M. Joana Teresa da Cruz do convento de Ayacucho

Suplente: M. Ketty de Jesus do convento Nossa Senhora do Carmo, também conhecido como Carmo Alto de Lima.

E de acordo com os futuros Estatutos que aprovamos e que serão apresentados à Sagrada Congregação para a sua aprovação elegemos:

Ecónoma: M. Edith de Jesus do convento Nossa Senhora do Carmo, também conhecido como Carmo Alto de Lima.

Pedimos as vossas orações para que o Senhor e a Virgem do Carmo acompanhem o caminho desta Associação, que brevemente mudará a sua denominação para Federação, recordando sempre as palavras da nossa Madre Santa Teresa de Jesus: “Agora começamos e procurem ir começando sempre de bem a melhor” (F 29, 32)».

 

Com a finalidade de oferecer um melhor serviço aos estudantes que frequentam a nossa Faculdade Pontifícia Teresianum, realizaram-se algumas obras para melhorar a Sala 1, dedicada ao Pe. Silvério de Santa Teresa, obras que se somam às já realizadas na Aula Magna, com a ajuda da Curia Geral.

Deste modo, procedeu-se à troca de todos os bancos da sala, substituindo-os por outros que incluem tomadas para o uso de computadores na sala. Renovou-se a mesa da presidência e melhorou-se o sistema de som. Além disso, instalaram-se um projetor multimédia profissional e duas câmaras de vídeo, com microfones incorporados, para a transmissão em direto e gravação de eventos na sala, com qualidade HD. E ainda se fez a conexão por áudio e vídeo da sala 1 com a Aula Magna, de forma que possa ser usada como espaço auxiliar quando esta última encha.

O P. Daniel de Pablo Maroto apresenta aos leitores uma nova biografia da Santa Teresa, na Editorial de Espiritualidad do Grupo Fonte (província Ibérica, Espanha). Trata-se de uma segunda edição corrigida e aumentada da já publicada pelo autor no ano de 2015, com o título de Mi Teresa, como expressão do contato pessoal do autor com a Santa durante muitos anos de estudo e reflexão.

Esta nova edição contém novidades importantes, tal como a inclusão de diversos dados fruto da investigação desenvolvida por diversos autores durante o V Centenário do nascimento de Santa Teresa.

Além de algumas descobertas originais do autor que, sem dúvida, irão gerar debate entre os historiadores e biógrafos da Santa, a biografia afronta a pregunta sobre a atualidade de Teresa e deseja chegar não só aos crentes, mas também a quantos se aproximam com liberdade de espírito e sem prejuízos a esta testemunha excecional da Transcendência.

Quase a iniciar a celebração dos seus primeiros dez anos de existência, MIAS-Latina (Ibn Arabi Society Latina), associação cultural laica e independente, dedicada a fomentar o conhecimento da obra do grande poeta, místico e sufi murciano Ibn Arabi, assim como de autores e temas afins, celebrou na Universidade da Mística em Ávila, entre os dias 10 e 12 de maio, o seu nono Simpósio internacional. Trata-se de uns simpósios anuais que, habitualmente, se vêm celebrando, quase sempre na primavera, na cidade de Múrcia.

Realizaram-se outros simpósios, durante os últimos anos, em cidades como Sevilha ou Barcelona, mas o deste ano 2019 tem um significado especial para MIAS-Latina, já que o organizamos e celebramos com a colaboração do CITeS e a sua Universidade da Mística.

O simpósio vem-se preparando desde a última edição em 2018 e contou com a participação de 19 especialistas, tanto na obra de Ibn Arabi como de outros autores afins, pois o que se pretende no Simpósio é debater sobre as relações entre as diferentes formas de linguagem, e muito particularmente a poesia, e as tentativas de expressão da experiência e o conhecimento místicos. Uma experiência tão humana como universal.

Poetas como Fernando Pessoa, Juan Ramón Jiménez, Clara Janés, San Juan de la Cruz ou Santa Teresa de Jesus, além dos grandes poetas da tradição sufi persa, ou as beguinas como Hadewijch de Amberes, entre outros, foram tidos em conta durante o Simpósio. Igualmente, apesar de que o núcleo do conteúdo girou à volta das místicas sufi e cristã, não se quis perder de vista uma perspetiva mais ampla ao falar da poesia hindu (por exemplo, o Râsa Lîlâ) ou das culturas primitivas e indianas (assim na conferência inaugural).

Durante o Simpósio entregaram-se os prémios anuais de MIAS-Latina ao filósofo e escritor português Paulo Borges (prémio Taryumán 2019), ao músico e investigador Eduardo Paniagua (prémio Barzaj 2019) e à filóloga e bibliotecária Luísa Mora, em representação da Biblioteca Islâmica “Félix María Pareja” de Madrid (prémio Hikma 2019).

 

No tempo da Criação – digamos, aproximadamente, entre o quinto e o sexto dia – Deus estava passeando entre o 2º paralelo norte e o 16º meridiano leste. Sei bem que na época ainda não havia no mundo referências tão precisas. E Deus certamente não precisava disso para seus passeios na Terra que acabava de criar; mas foi para fazer-nos entender onde Ele estava naquele momento. E aqui, por causa do cansaço do trabalho dos dias anteriores, simplesmente porque ainda não havia sete milhões de pessoas com que se preocupar, Deus descansou e adormeceu. No entanto, não se deu conta de que, no fundo do saco de sua fantasia, havia um lugar do qual saíram rios e cascatas, árvores altíssimas, pedras preciosas e animais de todas as formas e cores. Quando acordou, já era tarde demais para guardar tudo dentro do saco. Os macacos, pendurados entre os cipós, estavam inclusive brincando com o saco do qual acabavam de sair. Deus sorriu, achando aquilo divertido, e pensou que os macacos eram realmente bonitos. Chamou “selva” àquilo que acabava de criar e pensou que seria necessário que alguém cuidasse de tanta beleza. Foi então que criou os pigmeus, um dos povos mais amáveis e pacíficos da terra. Deus entregou-lhes as chaves da selva, abandonou aquele lugar com um pouco de dó e começou a ocupar-se dos problemas dos homens que, dentro de muito pouco tempo, poderiam construir as primeiras cidades.

Tantas coisas maravilhosas, a 500 quilômetros de onde vivo, merecia uma visita pessoal. Por isso, pensamos que uma excursão ao lugar onde Deus havia repousado há tantos séculos poderia ser a opção perfeita para distrair-nos e repousar um pouco depois do cansaço acadêmico do primeiro semestre.

A primeira parada da longa viagem foi Bangui, na região do rio Lobaye, onde se encontra nosso albergue de referência na região. Assim que chegamos, a família de Frei Régis, além de colocar toda a casa à nossa disposição, ofereceu-nos um maravilhoso café produzido ali. O sol ainda não se tinha posto e aproveitamos para tomar um banho de rio. Na manhã do dia seguinte, antes de seguir viagem, celebramos a missa na igreja do povoado. Mas em Bambio é impossível celebrar uma missa que não seja solene e que não conte com a participação de muita gente. Ali os padres são raros, mais ainda quando chega acompanhado de um convento inteiro. No café, o continental breakfast de Bambio prevê mandioca e animais silvestres caçados no dia anterior.

À tarde chegamos a Belemboké, uma missão composta exclusivamente por pigmeus, nos arredores da selva. Os únicos não pigmeus no povoado são dois sacerdotes africanos – Padre Anselmo e Padre Sérgio –, três religiosas da América Latina – Irmã Melania, Irmã Alba Maria e Irmã Margarita – e o professor da escola elementar. Os pigmeus – explicam-me os irmãos de hábito – são os verdadeiros habitantes da África Central. Deus os colocou ali, enquanto os outros habitantes do país pertencem à etnia bantu, que chegou à África Central em consequência das migrações. Em Belemboké, paróquia e povoado nasceram ao mesmo tempo – em 1973 – por iniciativa do Padre Lambert, valoroso sacerdote francês. Esse missionário deu-se conta de que os pigmeus com frequência dependiam dos senhores de outras etnias, quase como servos. Criando uma paróquia para eles, o sacerdote permitiu, de fato, também o nascimento de um povoado só de pigmeus, que construíram ao redor da igreja suas típicas cabanas feitas de ramos e folhas entrelaçadas em forma de iglu. E com a paz de espírito de quem percebe, um pouco de forma apressada, que a evangelização foi uma das causas da extinção das culturas indígenas, esse sacerdote deu aos pigmeus, junto com o Evangelho, também a liberdade e a dignidade, preservando sua cultura e tradições. Entre os elementos mais interessantes da cultura dos pigmeus, num contexto em que a poligamia estava largamente difundida, encontrou a prática de uma rigorosa monogamia, que casou perfeitamente – é justo dizê-lo – com a concepção cristã do matrimônio. Obviamente, a iniciativa do Padre Lambert não agradou a quem tinha perdido a mão-de-obra gratuita. O sacerdote foi ameaçado. Em sua defesa, porém, interveio Bokassa, o famoso soberano do então Império Centroafricano, que declarou que quem fizesse algum mal ao sacerdote estaria fazendo-o à própria pessoa do imperador. Desde então, os pequenos donos da selva continuam a viver felizes e em paz, inclusive sem saber nada do enésimo e ambíguo acordo de paz para a África Central, assinado há pouco tempo em Jartun.

Passada a noite entre as cabanas dos pigmeus, saímos para Bayanga, onde visitamos o National Dzanga – Sangha National Park. O parque encontra-se imerso na selva da bacia do rio Congo, no extremo sudoeste da África Central, encravado entre Camarões e Congo-Brazaville. O objetivo da excursão é observar de perto uma colônia de elefantes. Percorremos a pé uma parte da imensa selva. O guia, ajudado por um pigmeu que se pôs à frente da comitiva, dá-nos algumas instruções sobre o comportamento que se deve ter no caso de sermos atacados por um elefante ou um gorila. Para os hipopótamos, não nos dá instrução alguma: informa-nos que é melhor não encontrá-los. Finalmente, pediu-nos que ficássemos em silêncio, para evitar atrair os animais. Meus irmãos de hábito mergulharam em um silêncio mais rigoroso que aquele que deveria haver no convento depois da oração de Completas. Depois de alguns metros, enquanto estávamos atravessando um pequeno rio a pés descalços, observamos pegadas de dimensões notáveis. O guia não estava brincando: os elefantes tinham passado por ali há pouco tempo. Depois de quase uma hora de caminho, subimos a um mirante construído para contemplar essas enormes criaturas de Deus que, por volta do meio-dia, chegam a um curso de água para matar a sede. O espetáculo é impressionante e acima de qualquer previsão: os elefantes são uns cem. Mas, como nos informou o guia, dentro da selva foram contabilizados uns 4000. Um patrimônio incrível, que faz com que essa parte incontaminada da natureza seja algo único no mundo e prenda nossa atenção durante algumas horas.

À tarde voltamos a caminhar em direção ao norte. Atravessamos a selva tropical (classificá-la como exuberante parece um termo insuficiente). A estrada é uma pequena trilha de terra vermelha que, timidamente, pede permissão a arbustos de grandes folhas e árvores majestosas que parecem guardas, quase enfadados por nossa presença. Finalmente chegamos a Nola, onde passamos a noite. Nola é uma cidade pitoresca, situada no cruzamento dos rios Kadeï e Mamberé, que, unidos, dão origem ao grande rio Sangha, reino indiscutível de muitos hipopótamos. No ponto de confluência dos dois rios há uma pequena ilha, coberta por grandes árvores e povoada por macacos, que foi por um tempo sede da prisão da cidade. Para chegar à antiga missão, fundada em 1939 e situada na outra parte do rio, tivemos que subir com o carro sobre uma balsa flutuante. Chegamos quando o sol estava quase se pondo. Fomos acolhidos por Irmã Inês, religiosa espanhola idosa, que havia preparado antílopes e camarões para o nosso jantar.

Pela manhã, atravessando a cidade, ficamos impressionados com a quantidade de bureaux d’achat de ouro e diamantes ao longo da estrada. Com efeito, encontramo-nos em uma das tantas zonas da África Central na qual o subsolo é particularmente rico nesses minerais preciosos. E é um sofrimento – meu e de meus irmãos de hábito – fazer a frustrante pergunta: por que este país – que, literalmente, dorme sobre ouro e diamantes – está condenado a viver na extrema pobreza e somente outros podem aproveitar-se de suas riquezas?

Ao meio-dia chegamos a Berberati, uma das maiores cidades da África Central. Levaram-nos para o almoço alguns meninos do Centro Kizito, uma realidade criada para a recuperação de meninos e crianças vítimas ou atores de violência, muitas vezes órfãos, às vezes provenientes de grupos armados ou que já estiveram na prisão. Irmã Elvira, uma missionária que não conhece diferenças e não suporta os orfanatos, está na origem dessa comunidade que tenta recuperar a dignidade de dezenas de meninos através da aprendizagem de um ofício, da agricultura, da música, do esporte e, sobretudo, da arte de viver juntos sem fazer-se mal. “Sara mbi ga zo – Faz de modo a que chegues a ser um homem”: esse é o difícil lema da ambiciosa iniciativa que Irmã Elvira tenazmente leva adiante há muitos anos, com a ajuda de diversas famílias e não poucas dificuldades. Um irmão de hábito, ao final da visita, propôs Irmã Elvira como presidente da África Central, também apenas por um mandato. Não creio que Irmã Elvira tenha ambições desse tipo, mas, precisamente este ano o presidente da República Italiana reconheceu seus méritos, nomeando-a Commendatore dell’Ordine al Merito della Repubblica Italiana.

Na catedral de Berberati, encontramos o jovem bispo Denis Agbenvadzi, originário de Gana, que nos entreteve contando-nos um pouco de sua experiência missionária, particularmente os oito anos passados como pároco entre os pigmeus de Belemboké. Depois dirigimo-nos ao norte e, no meio do caminho, fizemos uma parada nas cascatas de Touboutu. Chegamos a Carnot, outro centro de recolhimento de ouro e diamantes. Fomos acolhidos por Padre André, missionário belga. Visitamos a igreja, infelizmente em mau estado, de Notre Dame de la Mamberé, que parece quase um meteorito de arte medieval precipitado casualmente nessas regiões.

Em viagem para Baoro, onde desde 1973 temos uma missão e que é a penúltima etapa antes de voltar para casa, mergulhamos em um interessante e animado debate sobre a natureza, a história, a beleza e as emoções de um europeu e de um africano… De gustibus non est dispuntandum, diziam os antigos. Mas não concordo com eles. Estou do lado dos jovens, a disputa é acesa. Minhas opiniões e cânones estéticos estão em clara minoria. Declaro-me vencido e nos orientamos a debates menos difíceis. Em Baoro, hóspedes de nossos irmãos, visitamos a recém-aberta escola para catequistas. Foi inaugurada há muitos anos por Padre Nicolò, fundador de nossa missão, e fechada pouco depois. Agora está revivendo, graças ao empenho do Padre Odilon, que se dedica apaixonadamente à formação de dez catequistas que vivem com suas famílias.

Ao longo dos últimos quilômetros antes de chegar a Bangui, volto a pensar nos lugares, mas principalmente nas pessoas encontradas durante a viagem: missionários e missionárias apaixonados por este país, os quais, escondidos como diamantes, trabalham pelo Reino de Deus sem fazer muito ruído. A cada um deles fiz a inevitável pergunta: “Há quantos anos estás aqui?” A pergunta é indiscreta, quase impertinente, como se quisesse conhecer a senha de um cofre que não me pertence. O missionário ou a missionária sorriem, fecham os olhos – como para manifestar a necessidade de voltar a ver todos os anos passados nesses lugares – e depois pronunciam um número, humildes e orgulhosos ao mesmo tempo, como se fosse um segredo que não quisessem revelar, como os quilates do mais precioso diamante: o da própria vida dada pelo Evangelho e por este povo.

Um abraço de Bangui,

Padre Federico

Le 25 avril 2019, dans l’octave de Pâques mourait à Balbolim (Goa, India, le père Edwin Aleluia Aleixo Diniz, ocd, docteur en théologie dogmatique et licencié en Ecriture Sainte, professeur émérite du Teresianum. Né à Merces (Goa), le 7 avril 1944, il avait fait profession dans l’Ordre le 19 mars 1965 et avait été ordonné prêtre le 9 avril 1972. Il est retourné vers le Père, à l’âge de soixante quinze ans, dont cinquante quatre  de vie religieuse, et quarante six comme prêtre.

Nous pensons à lui avec gratitude et le recommandons au Seigneur. Sa vie a été un don pour l’Ordre des Carmes Déchaussés et l’Eglise, en particulier par sa contribution

à la Faculté Pontificale “Teresianum”. Nous confions son âme à la Divine Miséricorde afin  qu’il jouisse en plénitude et pour toujours de la Bienheureuse vie céleste.

 

Como alguns leitores talvez saibam, já é possível fazer consultas online aos artigos da revista Teresianum a partir de sua fundação (com o título Ephemerides Carmeliticae) até o último número do ano de 2014, através das plataformas Dialnet e do catálogo da biblioteca da Faculdade, ao qual se pode ter acesso através da página www.teresianum.net. Em breve, o acesso poderá ser feito também através da plataforma Atla. Os artigos podem, inclusive, ser baixados em formato PDF. No que se refere aos artigos posteriores, já é possível até mesmo ter acesso aos exemplares dos anos de 2015 a 2019 mediante uma assinatura de 50 euros (VAT no incluso). Na imagem que acompanha esta notícia podem-se inserir todos os dados necessários.

A mostra “Vítor Teresa”, que pôde ser vista ano passado em Alba de Tormes (Salamanca) e reuniu muitas obras significativas sobre a vida da religiosa Santa Teresa, poderá “marcar espaço” para sempre em Salamanca.

A relevância das obras expostas, que voltaram às mãos de seus proprietários, impediam uma manutenção perpétua de maneira conjunta, mas, com o propósito de imortalizar esse encontro, a Assembleia Legislativa de Salamanca fotografou uma seleção delas e as exporá no Palácio de La Salina de Salamanca até o dia 5 de maio.

Posteriormente, com o objetivo de continuar difundindo a iniciativa, Vítor Teresa in itinere, composta por fotografias em tamanho ampliado, em 24 painéis, passará a fazer parte do catálogo de exposições oferecido gratuitamente pela Assembleia Legislativa às prefeituras do interior do país.

A exposição original, Vítor Teresa, promovida pelos carmelitas descalços de Alba de Tormes e financiada pela Assembleia Legislativa de Salamanca por ocasião do Ano Jubilar Teresiano no convento de São João da Cruz, recebeu mais de 17200 pessoas de julho a dezembro.

A proposta inicial mostrava a figura de Teresa de Jesus a partir de uma perspectiva religiosa através das obras de arte expostas e propunha também “um olhar para a Santa em outras vertentes de sua vida, como a grande escritora que foi ou, inclusive, em sua faceta mais pessoal”. Colaboraram: os padres carmelitas descalços de Alba, Universidade de Salamanca, Casa de Alba, diocese de Salamanca, catedral de Salamanca, Universidade Pontifícia, Museo Provincial de la Junta, Fundação Rodríguez Fabrés, diocese de Ávila, Casa de Pastrana, Arquiconfraria do Rosário, Grupo de Investigação Alfonso IX, empresas de Alba e particulares.

Catálogo e vídeo:

http://www.lasalina.es/ebooks/Libros/978-84-7797-576-2.pdf

https://www.youtube.com/watch?v=HSRcFaGc-tY

Os padres jesuítas de Roma organizaram e acolheram no último dia 10 de abril – na famosa igreja del Gesù – um espetáculo de luz e som que acompanhou a leitura orante de textos escolhidos das Exclamações de Santa Teresa. A produção e interpretação ficaram a cargo de Silvia Lanzalone (música e som), Silvia Schiavoni (tradução e voz) e Gianni Trovalusci (improvisos musicais), sob a direção de Emanuela Mentuccia.

O objetivo da representação teatral era fazer chegar ao espectador, através da palavra de Teresa, o amor de Deus por ela experimentado, assim como a apaixonada resposta da Santa ao acolhê-lo. Os recursos dramáticos utilizados tratavam igualmente de apelar ao coração do ouvinte, para que ele mesmo realize essa experiência de amor divino oferecido gratuitamente em Cristo e acolhido com estupor e humildade.

O espetáculo – patrocinado, entre outros, pela Pontifícia Faculdade Teresianum – foi um sucesso de público e encerrou com uma belíssima exegese das Exclamações, a cargo de Monsenhor Melchor Sánchez de Toca, natural de Toledo e subsecretário do Pontifício Conselho para a Cultura.

Monsenhor Anders Arborelius, o primeiro cardeal sueco da história e primeiro cardeal carmelita do terceiro milênio, visitou o santuário de Nossa Senhora da Neve em Adro no domingo, 7 de abril, por ocasião das celebrações do 500º aniversário da aparição mariana que aconteceu ali (1519-2019). Recebido pelo Padre Gino Toppan, pelo provincial de Veneza – Padre Aldino Cazzago – e a comunidade dos frades carmelitas, o cardeal Arborelius – “Padre Anders”, como prefere ser chamado – presidiu uma missa muito concorrida no cemitério do santuário.

Durante a celebração da Eucaristia, foi abençoada a imagem de Nossa Senhora da Neve, a qual peregrina durante o mês de maio pela região de Franciacorta.

A santa missa começou com uma pequena surpresa: a saudação, na língua materna do cardeal, feita pela pequena comunidade sueca presente em Franciacorta. Alguns alunos da escola, coordenados pelos professores de música, animaram a celebração com grande alegria, apesar de algumas gotas de chuva que assustaram os mais temerosos, mas não o Padre Gino. O clima foi bom, para alegria dos devotos de Nossa Senhora congregados no santuário. Em sua homilia, “Padre Anders” destacou que a quaresma é um momento de alegria, no qual caminhamos com esperança para a santidade, seguindo o modelo de Maria, companheira na peregrinação da conversão; como ela – concluiu o cardeal –, “podemos avançar em direção à santidade e à renovação espiritual”.

Na parte da tarde, “Padre Anders” visitou as monjas descalças de Cividino, e no jantar recebeu a visita do bispo de Brescia, Mosenhor Pierantonio Tremolada. Na segunda-feira, dia 8, Monsenhor Arborelius presidiu a oração matutina da escola de Nossa Senhora da Neve. Essa visita foi um momento de gozo e comunhão para o Carmelo, sob o patrocínio de Santa Maria.

(Frei Samuele Donà, ocd)

https://www.carmeloveneto.it/joomla/adro/658-il-cardinale-carmelitano-arborelius-ad-adro-cronaca-ed-intervista?fbclid=IwAR1y3CpmPtm_ka7i4ZRfcgbuXE6nXdxWNBvjSN_MaXyMGjUdYXpTAvYYg1Q

Teve início no dia 26 de Março de 2019, no Carmelo de Nossa Senhora do Sorriso e Santa Teresinha, Natal/RN, a I Assembleia Geral da Federação Santa Teresa dos Andes das Monjas Carmelitas Descalças – Brasil – FeSTA, sob a proteção de Maria Mãe, Rainha e Formosura do Carmelo. Com Santa Missa de abertura celebrada por Dom Heitor de Araújo  Sales, arcebispo emérito desta Arquidiocese, concelebrada pelo Cônego José Mário, e os nossos irmãos, Fr. João Bontem e Fr. Luís Fernando,nosso Assistente Religioso, desta I Assembleia da nossa Federação Santa Teresa dos Andes, cujo tema é: “Que tais havemos de ser!”.

Após as orações iniciais, nossa Coordenadora Ir. Danuze acolheu  todas as participantes desta IX Assembleia da nossa Associação que será a primeira como Federação Santa Teresa dos Andes das Monjas Carmelitas Descalças no Brasil – FeSTA. Acolheu igualmente nossos irmãos Fr. João Bontem, ocd primeiro Assistente Religioso e Fr. Luís Fernando, Assistente Religioso atual.

Ao longo desta Assembléia tivemos um momento de comemoração dos 25 Anos da existência de nossa Associação – Jubileu de Prata(19/09/2019) – devido encontrarem-se presentes todos os nossos Carmelos  Federados, representados por suas respectivas Prioras e Delegadas.

As eleições para a nova Presidente Federal transcorreram num  clima de simplicidade e harmonia tendo os seguintes resultados:

Presidente Federal: Ir. Danuze de Jesus, ocd – Carmelo de Cariacica/ES

1ª Conselheira: Ir. Teresa Benedicta da Cruz, ocd – Carmelo de Propriá/SE

2ª Conselheira: Ir. Mariana do Sagrado Coração, ocd – Carmelo de Camaragibe/PE

3ª Conselheira: Ir. Maria Teresa da Eucaristia, ocd – Carmelo de Salvador/BA

4ª Conselheira: Ir. Maria Elisabete da Santíssima Trindade – Carmelo de Teresina/PI

Ecônoma da Federal:Ir. Mariana do Sagrado Coração, ocd – Carmelo de Camaragibe/PE

A Assembleia foi marcada pelo ingresso jurídico na Federação  três carmelos:  Cachoeiro de Itapemitim-ES;Banaeiras-PB e Jacarepaguá-RJ.

Foram dias de oração e intenso trabalho em comum, acompanhado de alegria fraterna, partilha e esforço para tornar sempre mais forte este elo de união e comunhão que já é uma realidade vivida entre nossos Carmelos Federados.

Assim, com os olhos e o coração voltados para a Virgem Mãe do Carmelo e Nosso Pai São José a quem nossa Presidente Federal Ir. Danuze consagrou este sexênio.

Os membros da OCDS na Malásia e nas Filipinas celebraram seus encontros trienais entre 25 e 28 de abril.

Na Malásia, nossos irmãos e irmãs da Ordem Secular reuniram-se em Kuala Lumpur para refletir sobre o tema: Trabalhar por uma melhor formação: viver o amor na comunidade. Estiveram presentes cerca de 80 membros das comunidades de Kuala Lumpur, acompanhados por Padre John Chua, ocd – Delegado Geral em Taiwan-Singapura. Durante o encontro, foram eleitos novos membros do Conselho OCDS para a Malásia.

Por sua parte, os carmelitas seculares das Filipinas reuniram-se em Tagaytay. Estiveram presentes membros das 46 comunidades das Filipinas, junto com os irmãos da OCDS no Vietnã, acompanhados pelos Padres Reynaldo Sotelo, ocd (provincial) e Benedict Piango, ocd (delegado provincial para a Ordem Secular). Nesse caso, o tema do encontro girou em torno do que constituiu o centro de reflexão das comunidades durante o último triênio: Os carmelitas seculares vivendo o amor de Cristo nos tempos modernos.

Que o Senhor continue abençoando nossa Ordem Secular nas terras da Malásia, Filipinas e Vietnã, que vivem sua vocação como membros da família teresiana em um ambiente às vezes difícil e, inclusive, hostil.