A propriedade da família Ahumada em Gotarrendura (Ávila, Espanha) era um destino de veraneio preferido da nobreza do século XVI. Era o dote de Beatriz de Ahumada, a mãe de Santa Teresa, e o pai, Alonso de Cepeda, acrescentou em seguida um pombal. Este último marcou a alma da Santa Madre ao ponto que chamou a todos os seus conventos “Palomarcicos” (pombais) e as suas religiosas “palomas” (pombas).  Santa Teresa herdou desta propriedade pelo desejo expresso da sua mãe, que conhecia o seu afecto pelo Pombal. Hoje, resta apenas um terreno cerrado, com o seu pomar e pombal.

No sábado 12 de junho, teve lugar em Gotarrendura uma visita teatral ao Pombal de Santa Teresa. Foi uma visita imaginária de Teresa de Jesus à sua propriedade. Teresa mostrou tudo à freira que a acompanhava e aproveitou a oportunidade para contar as suas recordações de juventude. O clímax da peça é o momento em que Santa Teresa, caminhando com o seu pai, evoca os quatro modos de regar o seu jardim e os graus de oração.

Esta peça foi realizada por um grupo de professores e estudantes da Universidade Católica de Ávila (UCAV). É o fruto do trabalho de investigação sobre “O pombal Teresiano” da professora María Jesús Carravilla, no âmbito da comemoração do 50º aniversário do Doutorado de Santa Teresa. A antestreia teve lugar a 12 de abril durante o Congresso Internacional “Mujer excepcional“. A adaptação e encenação eram da autoria do Sr. Juan José Severo Huertas.

O jardim e a fonte de Santa Teresa foram também inaugurados no sábado 12 de abril.

 

O Dr. Patrick DiVietri é membro do OCDS, conselheiro pastoral, psicoterapeuta certificado pelo ACPE, professor de filosofia e teologia, músico, compositor, autor, e pai de família.  É o Director Executivo do Family Life Institute (Manassas, VA, EUA).  É sobretudo um homem cuja vida está centrada no desejo de fazer em primeiro lugar e sempre a vontade de Deus.  Neste sentido, a sua obra musical foi concebida também para o amor e glória de Deus e para o bem de todos.

Como artista, já tinha composto em 1981 uma Partita Teresiana: Retrato de uma Santa, para guitarra solista. Acaba de compor uma CANTATA CARMELITA. Os poemas e a música do Dr. DiVietri são uma reflexão sobre os diferentes tipos de unidade e a forma como estão ligados, ou seja, o amor. O amor é visto não só como um desejo de união com o bem, mas também como a força que, acima de tudo, constitui a integridade de uma pessoa, o que a liga aos outros e a Deus. Esta integridade pessoal, que resulta da aquisição das virtudes, permite que o homem se possua a si próprio. Só então é livre de se entregar ao amado e a Deus, e de se dedicar ao que é nobre e em conformidade com a dignidade do homem.

A Cantata começa e termina com poemas nos quais pessoas exprimem a Deus o seu amor e desejo de estarem unidas com Ele. O primeiro poema é sobre um jovem que deseja ser “como Deus” e tenta enfrentar sozinho o mal para o bem de todos. O segundo poema é sobre Teresa de Ávila, uma santa, que toma uma posição semelhante, mas não sozinha. Ambos estão unidos pelo mesmo objectivo: opor-se ao mal por amor de Deus e encorajar outros a fazer o mesmo. Para alcançar este objectivo, ambos decidem conformar toda a sua vida à vontade e ao amor de Deus.

Se desejar saber mais: https://www.cantatacarmelita.org/

 

Por cortesia de © Rome Records

 

Fundado a 31 de maio de 1946, o nosso Carmelo celebra este ano o seu Jubileu de Diamante de fundação: 75 anos de presença contemplativa na Arquidiocese de Lipa (Batangas, Filipinas). É para nós uma graça muito especial que o nosso fundador tenha sido Monsenhor Alfredo Verzosa e o seu bispo auxiliar seja o Monsenhor Alfredo Maria Obviar: ambos são hoje Servos de Deus e avançam juntos em direcção à beatificação.  Monsenhor Versoza escreveu à Madre Teresa de Jesus: “agradeço-lhe do fundo do meu coração, minha querida Madre, pelo vosso trabalho na minha diocese e por ter fundado o nosso amado Carmelo de Lipa, a luz dos meus olhos e o repouso do meu coração”.

Quem é que teria pensado em fundar um Carmelo em 1946, quando Lipa era uma das regiões mais devastadas por uma guerra que acabara de terminar menos de um ano antes? Foi necessária a fé inabalável de santos escondidos. As fundadoras do Carmelo em Manila foram: Madre Teresa de Jesus, Irmã Mary-Cecilia de Jesus, Irmã Mary de São José, Irmã Mary-Anne de Jesus, Irmã Alfonsina de Maria, Irmã Mary-Elizabeth do Sagrado Coração e Irmã Cármen do Bom Pastor. O carisma do nosso Carmelo é o amor misericordioso de Deus.  É com um coração profundamente grato que agradecemos a Deus por estes 75 anos de presença carmelita em Lipa. O desenvolvimento do nosso mosteiro testemunha o amor e o serviço fiel à nossa Santa Mãe Igreja, através do dom das nossas vidas para as almas, e especialmente para os Sacerdotes. Neste momento somos 22 religiosas, com jovens vocações prometedoras.

Em conclusão, gostaríamos de recordar as palavras escritas pela Madre Mary-Cecilia de Jesus, a nossa fundadora, em 1970: “O Carmelo de Lipa é o Carmelo do Amor Misericordioso de Deus. Os anos que passaram foram o desdobrar do mistério de Deus, da condescendência do Amor e da Misericórdia… Sim, Deus é o Mestre da história. Luz e sombra revelam a sua glória. Ele tem aqui as almas com espirito de infância espiritual cuja debilidade fará com que o seu poder se manifeste. Procuramos alcançar o objectivo. Com os corações cheios de confiança, levantamos os olhos para a nossa Santa Madre Teresa, para que ela renove em nós o seu duplo espírito, para que, como ela, sejamos filhas corajosas, generosas e verdadeiras da Igreja”.

 

O encontro da Federação das Carmelitas da África francófona realizou-se em Kinshasa de 3 a 20 de maio de 2021. A federação é composta por 11 Carmelitas implantados em 6 países (República de Camarões, Burundi, RDC, Congo Brazza, Costa do Marfim, Ruanda). Vinte e uma Carmelitas puderam viajar, enfrentando todos os obstáculos (apenas o Carmelo de Guitega, no Burundi, não pôde deslocar-se por causa das restrições às viagens).

As eleições puderam ter lugar. A Madre Aténaïz de l’Esprit Saint do Carmelo de Grand Bassam foi reeleita para um segundo mandato de três anos, e com ela Françoise Aimée du Crucifié do Carmelo de Kigali (primeira conselheira) e Sr. Thérèse de Jésus do Carmelo de Lubumbashi (segunda conselheira). A Sr. Marie Irène de Jésus do Carmelo de Yaoundé foi eleita terceira conselheira e ecónoma. A Irmã Marie Clémentine de l’Enfant Jesus do Carmelo de Kananga RDC é a quarta conselheira. A Irmã Marie Claver do Bom Pastor do Carmelo de Cyangugu Ruanda foi eleita substituta.

O Padre Geral Saverio Cannistrà e o Padre Jean-Joseph Bergara, Procurador da Ordem, juntaram-se à Assembleia Federal na noite do dia 4 de maio. O Padre Geral deu uma conferência sobre “A Formação das Carmelitas Descalças à luz das novas orientações da ‘A Arte da Busca do Rosto de Deus'”, e respondeu às perguntas das irmãs presentes. Durante esta Assembleia, as Irmãs puderam reflectir juntas sobre a formação em vista da elaboração da sua própria Ratio.

Na véspera do regresso do Padre Geral para Itália, os religiosos e religiosas do Comissariado organizaram uma grande noite festiva em sua honra: comida, canções e danças do país fizeram parte dela.

Após a partida do Padre Geral, o P. Jean-Joseph ficou durante a semana para dar uma sessão sobre a vida contemplativa vivida concretamente de acordo com o espírito do Carmelo, a partir dos últimos documentos do Magistério.  Os actuais desafios que cada uma das comunidades carmelitas enfrenta deram origem a muitas perguntas e encontros.

As Irmãs tiveram também a alegria de receber a visita fraterna do Cardeal Fridolin Ambongo, Arcebispo de Kinshasa. Partilhou com elas algumas notícias da sua diocese e disse-lhes novamente quanto é bela a vocação contemplativa.

 

No passado sábado, 15 de maio, recebemos a notícia do falecimento do Padre Domingos Fernandez de Mendiola, OCD, aos 96 anos de idade, no convento de Vitoria-Gasteiz (Espanha).

Entrou no noviciado dos Carmelitas em Larrea (Espanha) em 1939. Doutor em Dogmática e História da Igreja, autor de uma dúzia de livros, Director do Institutum Historicum Teresianum (Roma), professor e reitor do Teresianum (Roma), várias vezes Provincial da Província de Navarra, marcou especialmente a nossa Ordem e a Igreja pelos seus 25 anos de Missão na Índia: Professor e último Reitor europeu do Seminário Pontifício de São José em Mangalapuzha (Alwaye), o maior seminário ainda até hoje, um dos promotores da criação do Instituto Pontifício de Teologia e Filosofia em 1972, o primeiro Presidente do Centro de Orientação Pastoral (POC) em Kochi, o qual virá a ser a sede da Conferência Episcopal Católica do Kerala.

O Cardeal George Alencherry expressou as suas condolências ao nosso Padre Geral e agradeceu-lhe por tudo o que o Padre Domingos deu à Igreja da Índia: “Foi com um coração triste que soube esta manhã cedo da morte do P. Domingos Fernandez em Espanha com a idade de 96 anos. O Padre Domingos acompanhou e dirigiu a formação dos nossos seminaristas durante cerca de 25 anos com o zelo de um grande missionário, criando uma comunidade de sacerdotes profundamente consagrada a Jesus e comprometida com a sua fé. (…) Os Carmelitas Descalços têm contribuído imensamente para a formação dos sacerdotes no Kerala. Erudito, meigo e afável, o P. Domingos era amado por todos os seus alunos e o corpo docente. Era humilde, imperturbável, extremamente cortês para com todos os que entravam em relação com ele. A Igreja da Índia está-lhe profundamente grata”.

Agradecemos a Deus por este dom da vida do nosso frade.

 

O nosso frade nasceu a 11 de maio de 1921, em Sittard (Países Baixos). Hoje vive em Roma, no Teresianum. É uma vida dedicada ao ensino que devia ser celebrada: doutor em teologia moral, professor no Teresianum, na Pontifícia Universidade Urbaniana, antigo reitor da Faculdade de Teologia Moral da Universidade Lateranense, consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, membro ad vitam da Pontifícia Academia Pro Vita.

Como era conveniente, frades carmelitas de várias comunidades romanas, religiosas e amigos juntaram-se ao nosso irmão neste aniversário. Infelizmente, a sua família não pôde vir por causa das restrições de viagem devidas à Covid. A celebração eucarística foi presidida por Sua Eminência o Cardeal Giovanni Battista Re, actual Decano do Colégio dos Cardeais. Durante a homilia, o Cardeal recordou as vicissitudes políticas e eclesiais do século em que o nosso irmão viveu, a sua vida como investigador, e concluiu com um convite à oração, um regresso ao essencial da vida, apesar de todas as mudanças.

Após a Eucaristia, todos se reuniram (em conformidade com as regras sanitárias) para partilhar uma refeição fraterna. 100 anos é algo que se deve celebrar!

Felicidades, Padre Bonifacio, e que Deus preencha os próximos anos com a sua graça.

 

Como cada ano, o Conselho interprovincial da Índia organizou, inclusivamente este ano, um segundo noviciado de 7 semanas, na perspectiva dos votos solenes. Todos os frades que se preparam para a profissão solene este ano vieram de toda a Índia, num total de 25 frades. Teve lugar em Pushpadan, um centro espiritual dos Carmelitas na cidade de Kozhikode e pertencente à Província de Manjummel. Anteriormente, o segundo noviciado era organizado por turnos pelas províncias. Mas, nos últimos anos, este lugar foi finalmente escolhido por ser mais adequado.

O Padre Antony Ittikunnath é o responsável pelo programa e é assistido pela comunidade de Padres e outras pessoas qualificadas de todas as províncias da Índia. O Padre Johannes Gorantla, o Definidor responsável pela Índia, visitou a comunidade a 28 de abril e deu uma conferência sobre a Declaração Carismática.

Apesar da difícil situação criada pelo Covid na Índia, as Províncias não renunciaram ao curso. O programa de 7 semanas termina geralmente com exercícios espirituais em preparação para a profissão solene. Terminado este programa, todos estes frades regressam às suas respectivas províncias para emitirem a sua profissão solene.

 

A 16 de abril de 2021, o Conselho Executivo da UNESCO aprovou a candidatura de Santa Teresinha do Menino Jesus para a bienal de 2022/2023, na ocasião do 150º aniversário do seu nascimento. Note-se também que, por acaso, 2023 será também o ano do 100º aniversário da sua beatificação (29/04/1923). Esta candidatura foi apresentada pelo Estado francês e a Basílica de Lisieux. Para a bienal 2022/2023, a UNESCO quer “honrar a memória das pessoas que trabalharam nos campos da Paz, Educação, Ciência, Ciências Sociais e Comunicação”. Teresa competia com 60 personalidades propostas por 47 Estados. Entre os concorrentes de Santa Teresinha estavam três outros católicos: Copernicus (Polónia), Nerses (Arménia), e Mendel (República Checa).

Em meados de abril, Teresa ganhou a primeira etapa! Ela é a única mulher das 4 candidaturas seleccionadas. Representará, portanto, a França na UNESCO! A Bélgica e a Itália apoiam esta candidatura. A UNESCO declarou que “a celebração deste aniversário irá contribuir para trazer maior visibilidade e justiça às mulheres que promoveram, através das suas acções, os valores da paz”. Dada a celebridade de Santa Teresinha entre os católicos (sendo a cidade de Lisieux o segundo lugar de peregrinação em França depois de Lourdes), a celebração do seu aniversário pode ser uma oportunidade para realçar o papel das mulheres no seio das religiões no combate contra a pobreza e na promoção da inclusão.”

Uma santa francesa, com influência mundial, Doutora da Igreja: a UNESCO poderia em breve homenagear Santa Teresinha como Património da Humanidade. É uma mensagem surpreendente e extraordinária que Deus nos está a enviar nestes tempos de pandemia. Contudo, só em novembro de 2021 saberemos se Santa Teresinha será oficialmente homenageada pela UNESCO.

 

(…) Teresa de Jesus é extraordinária, sobretudo porque é santa. A sua docilidade ao Espírito une-a a Cristo e ela permanece “toda inflamada de grande amor a Deus”. Exprime a sua experiência com bonitas palavras, dizendo: “Entreguei-me totalmente a Ele e mudei de tal forma que o meu Amado é só para mim e eu sou para o meu Amado”. Jesus tinha ensinado que “a boca fala daquilo de que o coração está cheio” (Lc 6, 45). A audácia, a criatividade e a excelência de Santa Teresa, como reformadora, são o fruto da presença interior do Senhor.

(…) A santidade não é apenas para alguns “peritos no divino”, mas é a vocação de todos os fiéis. A união com Cristo, que místicos como Santa Teresa experimentam de modo especial por pura graça, recebemo-la mediante o batismo. Os santos estimulam-nos e motivam-nos, mas não existem para que procuremos literalmente copiá-los, a santidade não se copia, “pois isto poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós. É importante que cada crente discirna o seu próprio caminho”, cada um de nós tem o seu caminho de santidade, de encontro com o Senhor.

(…) Santa Teresa ensina-nos que o caminho que a tornou uma mulher extraordinária e uma pessoa de referência ao longo dos séculos, o caminho da oração, está aberto a todos aqueles que, humildemente, se abrem à ação do Espírito na própria vida, e que o sinal de que progredimos neste caminho é o de sermos cada vez mais humildes, sempre mais atentos às necessidades dos nossos irmãos, filhos melhores do povo santo de Deus. Este caminho não está aberto àqueles que se consideram puros e perfeitos, os cátaros de todos os séculos, mas a quem, consciente dos seus pecados, descobre a beleza da misericórdia de Deus, que acolhe todos, redime todos e convidados à sua amizade. É interessante que a consciência de sermos pecadores abre a porta para o caminho da santidade.

(…) A oração fez de Santa Teresa uma mulher extraordinária, uma mulher criativa e inovadora. A partir da oração, descobriu o ideal de fraternidade que queria tornar realidade nos conventos por ela fundados (…). Na oração ela sentiu-se tratada como esposa e amiga por Cristo ressuscitado. Através da oração, abriu-se à esperança.

 

Fonte: Osservatore romano, Ano 52, n.16 (2.713), 20 de abril de 2021.

De 12 a 15 de abril, a cidade de Ávila acolheu o Congresso Internacional “Santa Teresa de Jesus, “Mujer Excepcional”” por ocasião do 50º aniversário da proclamação de Santa Teresa de Jesus como Doutora da Igreja. No início do congresso, leu-se uma mensagem do Papa Francisco. Nele cumprimentou todos os participantes e afirmou que “a chama que Jesus acendeu em Teresa continua a brilhar neste mundo que precisa sempre de testemunhas corajosos, capazes de derrubar qualquer muro”.

O Congresso realizou-se de duas formas: presencialmente e online. Durante quatro dias, apresentou a doutrina teresiana para o mundo e a Igreja de hoje em diferentes temas.

No final do congresso, os participantes tiveram uma nova surpresa: um videomensagem do Papa Francisco. Foi o ponto alto do Congresso. O Papa aproveitou a oportunidade para recordar que uma das características da Santa de Ávila era a sua união com Cristo e a sua determinação a permanecer com ele na oração. Ele encorajou cada um a encontrar o seu próprio caminho de santidade e sublinhou que “Santa Teresa ensina-nos que o caminho que fez dela uma mulher excecional e uma figura de referência ao longo dos séculos, esse caminho, o da oração, está aberto a todos aqueles que humildemente se abrem à ação do espírito nas suas vidas”.

Aqui está o link para o texto completo da videomensagem:

https://www.osservatoreromano.va/it/pdfreader.html/por/2021/04/POR_2021_016_2004.pdf.html

Além disso, o Congresso angariou fundos, através do website do Congresso (http://congresosantateresadoctora.es ), para ajudar o Carmelo da Anunciação em Alba de Tormes (Salamanca), onde se encontra o túmulo da Santa Madre. Além disso, os organizadores decidiram também doar os benefícios do Congresso para ajudar na difícil situação económica que aquele Carmelo está a atravessar.

 

A 12 de Março, a Madre Elsa Campa, Priora das Carmelitas de Alba e de Villagarcía de Campos (Espanha), e presidente da Federação das Carmelitas Descalças, foi nomeada pelo Papa como consultora da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

Madre, para aqueles que não a conhecem, pode apresentar-se?

EC: O meu nome é Elsa Campa Fernandez (Elsa del Corazon de Jesus) e nasci no norte de Espanha, numa pequena aldeia das Astúrias. Entrei no convento das Carmelitas em Oviedo a 10 de Julho de 1982, fiz a minha primeira profissão a 12 de Janeiro de 1985 e a minha profissão solene a 10 de Janeiro de 1988.

O que significa para si esta nomeação como mulher e como carmelita?

EC: Como mulher, é uma coisa boa que pouco a pouco a Igreja confie em nós e se lembre de nós; que queira ouvir a nossa voz; e que reconheça tudo o que, geração após geração, nós mulheres fazemos na Igreja e na sociedade.

Como carmelita, para mim é mais trabalho e mais preocupações, porque já tenho um dia muito ocupado. Mas, para além de mim, é um pequeno reconhecimento e uma honra para toda a Ordem. E isto enche-me de alegria.

Seguidamente, a 11 de Abril, o Santo Padre também nomeava o Padre Denis Chardonnens, O.C.D., como consultor da CIVCSVA. É suíço, membro da Província de Avignon-Aquitaine (França), e ex-reitor da Pontifícia Faculdade de Teologia e do Pontifício Instituto de Espiritualidade Teresianum em Roma. É professor de teologia trinitária, teologia dogmática e teologia espiritual fundamental.

Parabéns a ambos! Rezamos por vós.

 

O P. Teófanes nasceu em Gajates (Espanha) em 1936 e dedicou a sua vida à História. Professor de história moderna na Universidade de Valladolid até 2001, cronista oficial da cidade de Valladolid durante 17 anos, é um dos especialistas mais reconhecidos do século XVIII.

O Júri decidiu por unanimidade atribuir-lhe este prémio “pela sua dedicação permanente e brilhante ao ensino e à investigação histórica, que proporcionou à historiografia do século XVIII espanhol linhas de investigação de vanguarda com um impacto especial na história das mentalidades. (…) Os estudos realizados pelo P. Teófanes Egido foram decisivos na identificação das origens judaico-convertidas da família de Teresa de Jesus ou na análise crítica da obra de Martinho Lutero, tendo realizado a primeira tradução em castelhano das suas obras, abrindo novos canais de estudo e interpretação da religiosidade do Barroco, o que fez dele um dos grandes historiadores de Castela e Leão”.

A cerimónia de entrega do prémio realizou-se na quarta-feira, 21 de Abril de 2021.

Parabéns ao P. Teófanes pela distinção.

Em 2005, a Igreja Católica de rito latino compõe-se de quatro mil fiéis, isto é, 0,6% dos cristãos do país.  O Carmelo está presente no Iraque desde 1623 (em Basora). Em 1721, fundou-se um novo convento em Bagdá. A atividade missionária sempre foi vivida em clave de ajuda às comunidades cristãs locais. A situação da missão é atualmente muito precária, como acontece no resto do país. Os cristãos – e, particularmente, os religiosos – são objeto de intimidações por parte dos extremistas. Temos um frade iraquiano, Padre Ghadir. Atualmente encontra-se em Bagdá e recebe a ajuda de amigos do convento. A partir de outubro de 2018, as Irmãs do Carmelo São José estão presentes na capital iraquiana, onde dirigem uma escola.

No Facebook podemos encontrar uma página chamada “A família do Carmelo no Iraque”: https://www.facebook.com/carmeliraq/photos

A visita do Papa Francisco ao Iraque, desejada ardentemente pelo Sumo Pontífice e várias vezes adiada, finalmente aconteceu entre os dias 5 e 8 de março de 2021. Foi qualificada unanimemente como histórica. Certamente essa é a primeira vez que um Papa viaja ao Iraque. Mas é sobretudo uma visita aos homens e mulheres de um país imensamente rico, mas alvo de conflitos internacionais egoístas e destrutivos. É uma visita que se inscreve na ação heroica da Santa Sé contra as guerras, a favor dos direitos humanos e da liberdade de consciência religiosa.

Seguindo as pegadas de Abraão, o Santo Padre trata de despertar a fé verdadeira em Deus em um país predominantemente muçulmano, onde o fanatismo é ainda perigoso e o jihadismo, principalmente o do assim chamado Estado Islâmico, tratou de erradicar uma igreja bimilenar e condenou ao exílio mais de um milhão de fiéis, comprometendo o futuro e obscurecendo o presente.

A visita foi breve e rápida. O Papa se encontrou com autoridades oficiais e representantes de diversas religiões. Recitou o Angelus de domingo em uma cidade cristã na planície de Nínive, uma região humilhada, submetida ao vandalismo e esvaziada de habitantes por membros do assim chamado Estado Islâmico. Pouco antes, havia parado na cidade de Mosul, também ferida e destruída pelos radicais, que eliminaram também muitos muçulmanos depois de ter perseguido os cristãos e os yazidis. Concluiu a visita com uma missa pontifical em um estádio de Erbil, capital da religião curda.

Foi, definitivamente, uma visita histórica porque o Sumo Pontífice apresentou-se, humilde e amorosamente, como testemunha da verdade e da esperança.

 

† Jean Benjamin SLEIMAN, OCD

Arcebispo de Bagdá dos Latinos

 

Em 13 de janeiro de 2021, uma nova e fracassada tentativa de golpe de Estado gerou, mais uma vez, uma situação de pânico na África central. 2385 pessoas, em sua maior parte mulheres e crianças, fugiram das milícias rebeldes e buscaram refúgio no convento dos carmelitas descalços de Santo Elias, em Bouar. Ajudados por algumas ONGs e agências das Nações Unidas, os religiosos puderam socorrer do melhor modo possível as necessidades mais urgentes dos refugiados.

Durante quarenta dias, foi necessário reorganizar toda a vida em Santo Elias, aprender a viver e conviver – frades com os prófugos, estes com medo e esperança, e todos com insegurança. Nesse período difícil nasceram sete crianças no convento. Em 5 de fevereiro, o bispo de Bouar – Monsenhor Mirek Gucwa – se deslocou ao lugar e participou de um momento de oração junto aos refugiados, conduzido por nossos irmãos. No dia 9 de fevereiro foi a vez da visita do cardeal Dieudonné Nzapalainga, arcebispo de Bangui, junto à Plataforma religiosa da cidade, composta por membros da Igreja Católica, protestantes e muçulmanos. Todos eles dirigiram palavras de ânimo e apoio aos refugiados. Os membros da Plataforma abençoaram as mães e seus filhos recém-nascidos no convento, antes de finalizar a visita com uma oração. Nesse mesmo dia, Bouar foi libertada pelo exército centro-africano apoiado pelos militares russos.

A partir de 13 de fevereiro, os refugiados começaram gradualmente a regressar às suas casas. Na missa celebrada no domingo, 14 de fevereiro, uma mulher, em nome de todos os prófugos, expressou sua gratidão à comunidade de frades carmelitas. Na atualidade permanecem no lugar alguns soldados centro-africanos e russos que recolhem água do convento e fazem sua higiene também em suas instalações.